15 de março
Diario da Borborema (Campina Grande)
No link CULTURA

Feira do livro
Evento vai acontecer no mês de maio e tem o objetivo de colocar a cidade no circuito nacional do livro
Jorge Barbosa
jorgebarbosa@bol.com.br

A primeira Feira do Livro Campina Grande já é uma realidade. A proposta do evento foi lançada na manhã de ontem, em solenidade no Hotel Onigrat. A feira acontecerá de 23 a 27 de maio, no Spazzio. Tem como principal objetivo colocar a cidade no circuito nacional do livro, além de difundir a leitura no cenário paraibano. Nomes importantes da literatura nacional, como Fernando Morais, Inácio de Loyola Brandão, Marcelo Rubens Paiva e outros, já foram convidados, mas a programação ainda não está definida.

O evento será promovido pela empresa Accessus E&C e organizado pela Engenho de Arte. Conta ainda com o apoio do Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos e do Banco do Nordeste do Brasil. "A Feira do Livro de Campina Grande é um evento pioneiro na cidade. Queremos colocar a cidade em posição de destaque no circuito nacional do livro. Vamos consolidar o evento para tornar possível a realização de outras edições nos anos seguintes", salientou Clotilde Tavares, coordenadora da feira.

De acordo com a coordenadora, outro grande objetivo da feira é aproximar o livro do leitor iniciante e, com isso, promover a formação de novos leitores. Será um grande passo para impulsionar a comercialização e produção literária local. "Nós já fazemos a Bienal do Livro em Natal, que está em seu quarto ano, e fizemos também a Bienal do Livro da Paraíba, em João Pessoa. Nada mais natural do que trazer, um evento nessa linha para Campina Grande, uma vez que a cidade tem boa receptividade para todos esses eventos na área da cultura", disse a coordenadora.

Para impulsionar mais ainda a feira, nomes importantes da literatura nacional foram convidados e poderão passar por Campina Grande nesses quatro dias do evento. Autores como Fernando Morais, Inácio de Loyola Brandão, Lêdo Ivo, Marcelo Rubens Paiva e Carlos Heitor Cony receberam convites, mas nenhum ainda confirmou presença. Outra proposta é do comércio propriamente dito. Os participantes terão na feira um grande espaço para comercialização do livro. A intenção da organização é de trazer livreiros, editoras, distribuidoras e empresas de todo o país com essa finalidade.

A programação ainda não está definida, mas a organização garante que serão quatro dias de intensa movimentação cultural. "Teremos uma programação cultural e literária paralela. Nós teremos dentro da feira um grande auditório e vamos trazer escritores conhecidos de fora e também dar espaço para a produção da terra, além de apresentações artísticas", explicou a coordenadora, lembrando que a literatura de cordel também terá um grande espaço na feira, devido à intensa produção local.

BUSCA POR NOVOS LEITORES

O brasileiro está entre os povos que menos consomem livros no mundo. E não é por menos, o livro no Brasil possui custo alto e não está acessível a todas as camadas sociais. Nos quatro dias da Feira de Livros de Campina Grande, o público participante vai poder consumir livros com preços extremamente baixos, diretos das editoras e livreiros outros Estados. Com essa proposta, o evento tenciona buscar novos leitores.

"Isso um ciclo vicioso. O povo não lê. O livro é caro exatamente porque são poucas pessoas que compram. Então é um ciclo que precisa ser rompido dos dois lados", explicou Clotilde Tavares analisando como esse rompimento pode acontecer. "O livro pode ser barateado através de incentivos do governo em geral, reduzindo impostos, e do outro lado aumentando o público leitor, que é o trabalho que a gente faz promovendo essas feiras".

Dentro dessa perspectiva, a feira vai abrir também um espaço infantil, com uma ampla programação. A organização pretende fazer uma grande mobilização na cidade para atrair a participação de escolas das redes estadual, municipal e particular, para colocar a criança em contato direto com o livro. "Nosso grande trabalho é esse, pois o principal objetivo da feira é a formação de um público leitor. Quem tem 40 anos de idade, ou 30 anos de idade e não gosta de ler, não vai gostar mais não. A gente tem que formar um novo público leitor", comentou Clotilde Tavares.

Além da parte de comercialização da feira, o público campinense terá a oportunidade de prestigiar e assistir a palestras de escritores de renome nacional que estarão lançando livros durante o evento e, com isso, ampliar o interesse pela leitura. Esse encontro entre o autor e os seus leitores será no auditório "Calçadão Literário", montado dentro da estrutura da feira. A expectativa da organização é de que passem pela feira cerca de seis mil pessoas por dia. Estarão participando cerca de 40 expositores, nos estandes que serão montados no Spazzio.

BIBLIOTECAS PODERÃO SER EQUIPADAS ATRAVÉS DO CHEQUE-LIVRO

Outra importante novidade da Feira de Livros de Campina Grande é projeto do Cheque-livro. A instituição que desejar equipar sua biblioteca, poderá fazer isso através de um convênio com o evento, recebendo verba para aquisição de livros. Nesse segmento pode participar escolas, universidades, prefeituras e diversas outras instituições.

"No Cheque-livro, a instituição faz um convênio com o evento e direciona uma verba para o evento, mas essa verba não fica no evento, ela é transformada em cheques, que voltam para a instituição e ela distribui a seus alunos, seus membros e etc, e essas pessoas utilizam esses cheques para comprar livros na feira", explicou Clotilde Tavares, organizadora da proposta. De acordo com Clotilde, dois grandes parceiros já estão em negociação: a Universidade Estadual da Paraíba e a Universidade Federal de Campina Grande.

Essas duas instituições vão equipar suas bibliotecas através do convênio. As prefeituras podem buscar o convênio para equipar as bibliotecas das escolas municipais. "Para se ter uma idéia, em 2005, em Natal, a importância que a prefeitura e o governo do Estado destinaram ao cheque-livro foi de R$ 600 mil. Em Palmas, em 2006, o governo destinou R$ 5 milhões".
A coordenadora destaca que a modalidade permite que a instituição equipe sua biblioteca de forma rápida, sem complicação, sem necessidade de licitação e perfeitamente legal. Nesse sentido, algumas propostas já estão sendo fechadas.

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